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Nos Enredos do Banho de Manjericão
 Monique Francielle Castilho Vargas


A obra expõe uma análise das manifestações religiosas afro-brasileiras presentes no trabalho artístico-musical de Clara Nunes nas décadas de 1970/80. Esta cantora foi a primeira mulher a vender mais de cem mil cópias de discos, apresentando uma exaltação às culturas de matrizes africanas em um Brasil marcado pelo governo militar, racismo, intolerância religiosa e a reorganização do Movimento Negro. Apresenta-se uma interpretação de como esta produção artística-musical foi construída; investigando os motivos que a levou alcançar tamanho reconhecimento nacional e repercussão internacional, expondo, de maneira explícita e enaltecedora, práticas que compõem o universo mágico-religioso de matrizes africanas (religiões vítimas de racismo e intolerância) e, principalmente, se esta produção auxiliou/influenciou para a construção de identidades e identificações afro-religiosas de resistência no período. Considera-se que as representações culturais presentes nos versos das canções, nos encartes da discografia e, principalmente, nas performances artísticas protagonizadas por Clara Nunes nos videoclipes foram fontes consistentes para o desenvolvimento desta pesquisa, possuindo a capacidade de auxiliar historiadoras/es a interpretar as transformações socioculturais dos anos de 1970/80.